Reflexões sobre Espiritualidade da Cruz

| Checklist Criativo com perguntas e respostas acerca do tema Espiritualidade, a saber, a Espiritualidade da Cruz!

Espiritualidade

Este ano conforme anunciei no post que introduziu a Linha Editorial de 2019 no blog e no canal TE, comentei que faria big posts sobre cada uma das áreas da roda da vida. Já rolaram muitos posts afins aqui no blog, nessa saga de 8 anos de produção de conteúdo, e aqui neste post, além de trazer um checklist criativo de cada área, irei relacionar os principais posts afins com o tema do período. Será uma espécie de post referência aqui no blog, com uma cara Retrô e também Moderna - com os meus aprendizados sobre o tema. Como a Edel vê a palavra ESPIRITUALIDADE esclarecida na sua vida não é o mais importante aqui, mas fazer você refletir sobre, sim, e construir as suas próprias respostas. Cada item expõe exemplos, sugestões, reflexões. Até para mim mesma. Comentem o que acharam e o que gostariam de ver aqui em especial sobre o tema, que talvez ainda não tenha sido abordado até então. Espero que possamos refletir e aprender bastante juntos!


 1 | O que conhecemos por espiritualidade?

A base de qualquer espiritualidade é se conectar com algo maior do que nós mesmos na busca de paz interior, bem estar, felicidade e sentido para a vida. Alguns nomeiam esse algo maior de força superior e em resumo é de algum deus com nomes diversos que estamos falando nesse ponto. Como esse texto terá a ver com minha vida, vou tratar de uma espiritualidade que muitos ouvem mas não compreendem, que é a Espiritualidade da Cruz, e do meu Deus, que é Triúno Pai, Filho e Espírito Santo.

2 | Por que falar sobre espiritualidade num blog de organização?

Porque ela faz parte de uma das áreas da vida, e abordo o conceito organização sob essa perspectiva mais ampla. Todas áreas precisam estar em sintonia e andando juntas. A espiritualidade na vida é como a oferta na mordomia cristã, uma parte de um todo muito mais amplo e abrangente. 

Mordomia Cristã é um processo educativo de administrar tudo o que Deus nos confiou - a vida, o corpo e a mente, o tempo, os talentos, os bens e o Evangelho. O cristão, como fiel mordomo de Deus, reconhece que não pode administrar o tempo, mas pode administrar a si mesmo em relação ao tempo. E a organização na vida é muito tudo isso: administrar a si mesmo! 

É fazer escolhas, definir prioridades, viver conforme seus valores, pois tudo o que a gente faz na vida tem a ver com isso. Ignorar o que somos é loucura! Ser o que somos é coerência, autenticidade, personalidade e tudo isso é organização!

3 | A espiritualidade na minha vida

Eu nasci e fui batizada na Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Cerro Branco/RS. Como diríamos entre luteranos - "sou luterana de berço", da forma mais tradicional que existe. Meus pais tiveram uma longa história com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, pois na Vila Paraíso, onde residiam em Paraíso do Sul/RS, na época, era a única que existia. Quando eles se mudaram para Cerro Branco/RS em 1974, começaram a congregar na Comunidade Evangélica Luterana Betel, e anos depois foi lá que eu nasci, e comecei a construir a minha história.

Quando criança, fui na Escola Dominical, e participava todos os anos dos programas de natal. Foi na igreja que falei meus primeiros versos - com certeza morrendo de vergonha das pessoas - mas era uma das condições para o Papai Noel passar lá em casa e deixar meu presente. Sempre fui anjo nos teatros e encenações, e tenho trauma de velas, pois num desses programas de Natal, como as crianças entravam tão pertinho uma das outras, e usando asas enfeitadas com algodão, uma coleguinha encostou sua vela acesa na minha asa, e pensem no forrobodó que deu, e foi feio. Queimei até meu cabelo, foi traumático mesmo.

Mais tarde fui na Doutrina e fiz minha confirmação (da fé batismal) aos 12 anos, após passar 1 ano pelo ensino confirmatório. Na igreja luterana o pastor estuda com os confirmandos diversos assuntos acerca da fé cristã, praticamente decoramos o Catecismo Menor de Martinho Lutero, e estudamos diversas histórias bíblicas que elucidam grandes verdades de Deus. É uma preparação mínima, para que possamos entender melhor nossa fé, como é a espiritualidade cristã luterana baseada no Evangelho de Cristo, e estejamos aptos a comungar na Santa Ceia, e receber o corpo e o sangue de Cristo.

Eu fui somente 1 ano, mas hoje em dia os adolescentes ficam de 2 a 3 anos nessa fase. Minha turma era gigante (41 confirmandos!) e o tempo foi muito curto mesmo. Também há controvérsias, pois o tempo e a maturidade nos ensina muita coisa depois na vida prática, por isso a importância de permanecermos fiéis e firmes na fé em Cristo até o fim.

Como diz meu marido - o certificado de confirmação não é um certificado de formação, para agora estarmos livres e fugir da igreja. É somente uma etapa que fecha um ciclo. Na verdade depois da confirmação a responsabilidade com sua espiritualidade é maior ainda. Crescer na fé e aprender não se esgota em tão pouco tempo de estudos.

Cantei em coral desde criança, acompanhando minha mãe. Meu aprendizado com música começou na igreja, tocando harmônio - aqueles antigos com foles de pedalar, sim! Não me perguntem como eu conseguia, pois não sei. Acho que sentava na ponta do banco, e sempre já alta e com perna comprida, deveria ser fácil. Foi por causa da igreja que não perdi a prática musical, pois desde que me conheço por musicista, as teclas e as cordas me atraem.

Não gosto de ser sempre plateia, sentar no banco, gosto de participar ativamente do culto de alguma forma. Sempre fui assim desde pequena. Se Deus me dá um dom, penso que não é para usar somente para mim mesma, para me realizar, divertir ou distrair. Se posso usá-lo para levar sua palavra e louvá-lo, é isso que devo fazer.

Na época de juventude, participava do teatro, super admirava os amigos desinibidos, e talvez seja uma mistura um pouco de todos eles hoje. Também tive bons papeis, a de cigana que adivinhava o futuro que mais me marcou. Os conteúdos das peças ficaram memorizados em algum lugar da minha mente, não recordo de nenhum, mas de sua essência sim. A realidade da família, a mensagem de Deus e do mundo, a porta do céu, o desafio da cruz, ah... são boas lembranças.

Foi nessa época conheci meu marido, estudante de Teologia, num dos Encontrões do Seminário. Alguns anos depois eu me tornei esposa de pastor. Lembrando como eu era, e como sou hoje, só posso agradecer a Deus por todas oportunidades que ele me concedeu, para ouvir, ouvir, ouvir, até conseguir realmente mudar o que precisava mudar na minha vida.

Aprendo muita coisa incrível na igreja, que faz toda a diferença na minha vida. Há pastores, esposas de pastor e líderes que são grandes exemplos para mim. Quando alguém encontra e cita organizacão na Bíblia (e como tem!) aí é uma festa no meu coração! Leia Eclesiastes 3, sobre ter tempo para tudo.


4 | Já buscou formas alternativas de espiritualidade?

Óbvio que sim. Eu queria arrumar um namorado minha gente, então eu apelei para todos os deuses, porque as orações normais não estavam dando resultado. Na adolescência lia aquelas revistas de menina, e numa delas tinha uma reportagens sobre Anjos. Comecei a orar para meu anjo da guarda, acender incensos para ele, e enfim, acreditei que aquilo daria certo. Fiz simpatias com uma imagem do Santo Antônio, pois segundo os manuais, era flechada na certa. Lia com disciplina o horóscopo no jornal. Até comecei a me interessar em astrologia, e a regular minhas tentativas amorosas segundo a lua. 

Comecei a construir meu mapa astral, signo ascendente e descendente, e caraca, como tudo parecia fazer sentido. Para passatempo. Quando meu amigo Jackson (hoje marido) marcou de me encontrar bem numa lua minguante eu surtei - não era uma boa fase para iniciar qualquer história de amor. A história já tinha iniciado, em outra lua, bem lá atrás, nem sei qual. Para ele. Enfim, a flecha do cupido foi na direção errada, meus amigos deuses não ajudaram muito a mirar no cara que eu queria. 

Aquela altura do campeonato, subi lá no coro da igreja Betel e bati um papo com Deus. "Olha, ele não é o cara que eu quero, mas tu é que sabe. Te pedi um cara assim, assim, e assado, mas não tô conseguindo esclarecer quem é para ser ele, as relações não estão fluindo. Me mostra, por favor, para não fazer besteira. Já que esperei tanto tempo, não custa esperar mais um pouquinho e fazer a escolha certa." Foi algo mais ou menos assim, e a resposta veio, não muito tempo depois. 

Assim, essas outras alternativas de espiritualidade ficaram no passado, bem passado. Tentar manipular a divindade é inerente a natureza humana. Eu errei, mas Deus foi extremamente bondoso comigo.

Reflexões sobre Espiritualidade da Cruz


5 | O que é a Espiritualidade da Cruz?

Existem dois tipos de Espiritualidade: da Glória e da Cruz. A Espiritualidade da Glória tem diferentes enfoques, que podem ser moralismo - seguir leis morais para alcançar os ideais espirituais, da especulação - buscar pelo conhecimento encontrar a verdade e o saber supremo, e do misticismo, que é pelas experiências místicas que envolvem o emocional do ser humano, tornar-se um pequeno deus de si mesmo ou o próprio deus.

A Espiritualidade da Cruz é diferente, pois reconhece em primeiro lugar que jamais o ser humano imperfeito pode chegar a perfeição. Qualquer tentativa que ele faça, seja perfeição moral, de entendimento supremo, ou de experiência mística, ele definitivamente não conseguirá, pois perfeição não existe. É louvável desejar fazer boas obras, tentar ser melhor a cada dia, mas se for para ganhar alguns pontinhos com Deus, tudo não passará de uma busca que acabará em vazio e frustração. Viver a espiritualidade sem crença religiosa é possível, mas em algum momento se torna vazia, e faltará algo.

A Espiritualidade da Cruz foca no Evangelho, na obra de Cristo, que cumpriu a lei moral em nosso lugar, tem todo o conhecimento e realmente ressuscitou por nós. Tudo é obra de Deus, nos basta crer. É ele quem se torna um conosco em Jesus Cristo, é ele quem revela a si mesmo pela sua palavra, é ele quem perdoa nossa conduta, e em Cristo, vive a vida perfeita por nós. Isso parece loucura ao ser humano, por isso a Espiritualidade da Cruz é centrada no que Deus faz, e o viver a espiritualidade é reconhecer essa obra de Deus, o que ele realizou na cruz por nós e continua a realizar na vida das pessoas. Veja mais sobre a Espiritualidade da Cruz conferindo a resenha que fiz do livro.


6 | A vida cristã é tribulação

O fato de "viver na igreja" e/ou ser cristã não me torna melhor ou mais merecedora de qualquer graça. Reconhecer que preciso sim, buscar viver da melhor maneira as vocações que Deus colocou na minha vida, isso sim, é viver a minha espiritualidade na prática. Proclamando a palavra de Deus, mesmo que eu também erre.

A vida cristã é tribulação. É reconhecer nossa imperfeição humana. Depressão, ansiedade, bagunça, desobediência, doenças, hipocrisia, autoritarismo, preconceito, partidarismo, tudo isso assola cristãos e não cristãos. Assim como a chuva e o sol, e uma estação sob a outra vem para todos.

Se falarmos em igreja cristã da história, temos bons motivos para nos revoltar. Culturalmente falando, houveram épocas críticas. Inquisição, cruzadas, colonialismo, imposição de religião, falcatruas, alienação, é delicado hoje em dia se denominar cristã, evangélica, luterana - diante de tantas vertentes e manchas do passado registradas na linha do tempo.

Às vezes não estamos bem resolvidos com nossa própria fé, e isso dói reconhecer mais do que qualquer imperfeição que se tenha. Se tem algo que nos mantém firmes, é não fugirmos de Deus e permitir que ele possa continuar fortalecendo nossa fé. Fugir dele faz a gente se acostumar com o distanciamento, e pensar que está tudo bem. É tudo questão de rotina e hábito. Deus já fez tudo por mim. Não há nada que eu possa fazer pela minha vida espiritual que ele já não tenha feito. Mas por causa da minha natureza pecaminosa posso chutar o balde e renegar a obra de Cristo por mim, nos momentos em que a fé está oscilando pra baixo.

Posso ter boas ações, seguir as leis morais que ele colocou no meu coração, posso estudar e buscar conhecimento sobre a minha própria espiritualidade, posso me sensibilizar e emocionar com a música cristã contemporânea, mas na vida prática, é viver e trabalhar, e deixar Deus ser Deus. Contemplar mais o sagrado e criticar menos. Parar de questionar o inquestionável. Viver a vida que ele me dá para viver, com gratidão em meu coração.

7 | Como viver a espiritualidade da cruz na prática? 

  • Viver as vocações (trabalho - ocupação) para as quais fui chamada por Deus, no dia a dia: esposa, mãe, dona de casa, amiga, filha, profissional e em trabalhos voluntários, que sirvam de alguma forma outras pessoas.
  • Criar momento de meditação diários - mesclados com oração e palavra de Deus. Quem sabe ouvir uma mensagem devocional da Hora Luterana.
  • Aprender mais sobre ensinamentos práticos solicitando gratuitamente os livretos ou um Curso Online da Hora Luterana.
  • Ouvir músicas cristãs da rádio Cristo para Todos.
  • Repassar esse legado espiritual aos meus filhos.
  • Participar de uma igreja cristã que pregue Lei e Evangelho conforme as Escrituras.
  • Receber a Palavra de Deus e o Sacramento da Santa Ceia - as dádivas de Deus para fortalecimento da minha fé.
  • Louvar a Deus com meus talentos.
  • Refletir nas orações, na liturgia, na pregação, nos cânticos, estar presente de corpo e mente durante o culto.
  • Auxiliar nos projetos da igreja voluntariamente dentro dos meus dons e vocações.
  • Proclamar o Evangelho de Cristo sempre que tiver oportunidade, mesmo sendo imperfeita e tropeçando nas palavras.

Pulseira Evangelística que conta o plano da salvação


8 | Que práticas você tem de espiritualidade? 

  • Algo que é recomendado é fazer devoções diárias, com leitura bíblica, meditação, oração, cantos. Todos os pastores aconselham criar esses momentos devocionais em família, ou entre o casal, para fortalecer a comunhão e estimular o ensino, no caso, aos filhos. É uma prática maravilhosa, mas em dias atuais onde cada integrante da família tem o seu próprio calendário, priorizar o crescimento espiritual em família é uma atitude louvável. Eu preciso melhorar nesse ponto.
  • Orar todos os dias, antes de dormir, ou quando acordamos, nem que sejam aquelas orações flecha - obrigada Senhor por mais um dia!
  • Antes das refeições nós oramos, é um momento sagrado, onde agradecemos a Deus pelas bênçãos recebidas do alimento.
  • Geralmente todo final de semana participo do culto, que é uma oportunidade de participarmos da Comunhão - Santa Ceia, e também de nos fortalecermos com a Palavra de Deus, pregada e anunciada, do começo ao final da liturgia. A igreja luterana é tradicional nesses métodos, e bem organizada nesse sentido, com etapas claras e bem definidos, cheias de um significado especial.
  • Existem eventos de todos os tamanhos: locais, distritais, regionais, nacionais, com diferentes propósitos e formatos (casais, leigos, servas, pastores, esposas de pastor), mas sempre unidos no propósito maior de levar Cristo para Todos, e sempre de novo, para nós mesmos também nos animarmos, crescermos e nos fortalecermos na Palavra de Deus.
  • Esse buscar conjunto pela Palavra nos fortalece no dia a dia, pois a espiritualidade cristã luterana não se limita ao templo. É estendida nas vocações que fazem parte da vida de cada um - cuidar do seu bebê, cuidar da sua casa, cuidar da sua família, realizar um trabalho voluntário, exercer sua profissão. É no dia a dia que se vive os frutos da fé, e nos desafios da convivência com o próximo, seja ele quem for e aparecer do nosso lado. 

9 | Que livros sobre espiritualidade cristã você recomenda?

A base da doutrina cristã está expressa na Bíblia Sagrada, mas existe um livro que esclarece muitos aspectos dessa doutrina que é o Sumário da Doutrina Cristã. Eu tinha muitas dúvidas (mmmmmmuitas mesmo), queria saber se o que está Bíblia Sagrada é realmente verdade diante de tantos outros livros sagrados, de onde surgiu o “capeta”, onde é o céu, onde é o inferno, se tudo isso existe mesmo, o que acontece depois da morte, por que tem toda essa liturgia sagrada acerca das coisas de Deus, ufa, muitas coisas mesmo. Meu namorado (hoje meu marido) me deu este livro de presente, e embora não seja uma apaixonada por teologia, tive de ler o livro para entender o básico da história. O livro a Espiritualidade da Cruz, cuja tradução foi lançada no Brasil e 2014, foi a chave para entender de uma forma mais simples e clara sobre a espiritualidade da cruz, que eu deveria estar vivendo com mais entendimento e clareza, porque viver essa espiritualidade, eu já vivia.


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Estou ensaiando há muito tempo o que escrever e/ou como falar sobre minha própria espiritualidade. Parece um tema delicado, que envolve um pouco de Teologia (o que me estremece e bloqueia), mas muito mais de Evangelho, e isso cada um sabe levar do seu jeitinho. Porém se entendermos o significado do viver a espiritualidade - o próprio trabalho que busca fazer a diferença na vida de alguém - é uma prática espiritual. Então tudo aqui é para você, para te ajudar de alguma forma, sem desejos egoístas, mas com um sentimento de que faz muito bem para mim, e busca despertar reflexões legais também para você! Sigamos em frente nessa vocação, e com esses ensaios!
 

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