Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

11 de abril de 2019

Espiritualidade da Cruz | Resenha do Livro

| Espiritualidade da Cruz

Espiritualidade da Cruz é um livro escrito por Gene Edward Veith Júnior, que relata a experiência do autor na sua busca pela espiritualidade, e seu feliz encontro com a Espiritualidade da Cruz, regado a muitas referências teológicas, mesmo que a narrativa seja muito informal, sem muitas citações bíblicas e destes autores. Percebe-se que o autor mergulhou a fundo na teologia, para trazer de uma forma simples e didática a essência da doutrina cristã luterana.

Resenha do Livro Espiritualide da Cruz

Deveria instigar você a ler o livro, mas esta resenha terá um caráter diferente. Ela terá mais cara de resumo do que tom crítico, pois eu simplesmente amei esta leitura. É o livro que entrará para minha coleção de cabeceira, e que precisarei reler com mais frequência. Fiquei perplexa, pois não encontrei NADA em nossa imensa internet sobre o assunto, e preocupada, pela responsabilidade de escrever sobre, mergulhando nesses assuntos teológicos sem ser teóloga. Então tentei reunir neste post as partes que considerei mais interessantes compartilhar, para que você possa entender acerca do assunto, sem expor tanto em tom crítico ou provocativo a leitura. O que está escrito aqui, foi baseado do livro, não são invenções da Edel, mas eu assino embaixo em todos os capítulos, do começo ao fim. É um conhecimento que cristãos seguidores da Espiritualidade da Cruz deveriam explorar mais. Como eu, estou falando primeiramente para mim mesma!

1 | Buscando a espiritualidade

A busca do ser humano por espiritualidade está muito direcionada a experiência prazerosas e místicas, afirma o autor, além de um sentimento de significado e bem-estar. Porém as pessoas não gostam de se deparar com exigências desconfortáveis, sejam elas racionais, comportamentais ou de posição social. "Elas querem experiência religiosa sem crença religiosa".

Porém toda espiritualidade traz consigo uma teologia, não só uma experiência religiosa, mas também uma crença religiosa, mesmo que ela seja desconhecida, esteja "no piloto automático" onde não paramos para compreendê-la de verdade como ela é. Talvez se muitos buscassem esse entendimento, a verdade por traz da espiritualidade que confessa, se decepcionariam a tempo, e continuariam como fez Gene Edward Veith Júnior, na busca por aquela que contenha também riqueza de conteúdo. Ou permaneceriam verdadeiramente fiéis a espiritualidade que professam, sem transitar por tantas outras, ou ainda, continuariam como eu, mais curiosos pela própria, como era quando adolescente.

Espiritualidade não pode ser somente uma experiência transcendental, sem conteúdo, sem teologia, pelo prazer e bem-estar momentâneo. Isso é uma busca vazia, sem consolo, sem segurança alguma. A espiritualidade deve responder muito mais do que o óbvio. De onde vim? Para onde vou? Para que seguir tradições e valores? Para que me relacionar com Deus? O que eu preciso fazer para ser salvo? O que eu preciso fazer para viver minha espiritualidade na prática?

Os capítulos do livro que passam pela Justificação, os Meios da Graça, a Teologia da Cruz, a Vocação e Vivendo em Dois Reinos, respondem claramente estas perguntas à luz da Espiritualidade da Cruz. Durante a leitura do livro conclui que viver a espiritualidade sem entendê-la também perde o sentido. Isso não é vivê-la plenamente. Passei a entender melhor minha própria vida espiritual, e a reconhecer o quanto preciso buscar conhecer mais sobre a graça de Deus. Preciso sim, viver a espiritualidade no dia a dia, mas o culto também tem seus ápices que precisam ser mais valorizados, não por tradição ou meros rituais, mas por ser ordem de Deus e realmente algo sagrado. Deus se manifesta através do secular em nossa vida, e nem sempre reconhecemos isso como deveríamos.

2 | Espiritualidade da Glória x Espiritualidade da Cruz


Ele exemplifica bastante no livro a Espiritualidade da Glória, que vem totalmente de encontro a Espiritualidade da Cruz, e acaba caindo para um destes três modelos: o moralismo, a especulação e o misticismo. No moralismo o ser humano busca alcançar a perfeição de conduta, na especulação a mente tenta alcançar a perfeição de entendimento, e no misticismo a alma tenta alcançar a perfeição ao se tornar uma com Deus. Os três caminhos são frustrantes, pois o Palavra de Deus nos diz em Romanos 3.10-11. que "não há justo nem um sequer (para acabar com moralismo), não há quem entenda (para acabar com a especulação) não há quem busque a Deus (para acabar com o Misticismo)", exemplifica o autor.

Já a espiritualidade da cruz começa com o reconhecimento da nossa imperfeição humana. Reconhecer nosso caos espiritual, que nada podemos fazer para organizá-lo. Sim, para ele não há solução. Só há arrependimento, confissão de culpa e mudança de vida quando se passar por esse reconhecimento real de nossas imperfeições. Então Deus nos presenteia com seu Evangelho o que faz a diferença.

Nós não nos salvamos a nós mesmos, não espiritualmente falando. Se evangelho é boa nova, é esta a boa nova que a espiritualidade da cruz nos apresenta. Todo o esforço humano para alcançar a Deus é fútil, pois tudo é obra Dele. Deus faz tudo por nós. É ele quem se torna um conosco em Jesus Cristo, é ele que revela a si mesmo pela sua palavra; é ele quem perdoa nossa conduta e, em Cristo, vive a vida perfeita por nós.

3 | Carregar a sua cruz

A doutrina da cruz reconhece que a vida do cristão não é um estado de plenitude constante, mas de um oscilar dinâmico entre altos e baixos na fé, conhecimento do pecado e conhecimento do perdão, arrependimento e confiança. Sim, existem altos e baixos na fé do cristão, em outras palavras.

Enquanto que a teologia da glória defende que cristãos não sofrem, e se tiverem fé suficiente receberão bênçãos, cura, prosperidade e sucesso, a teologia da Cruz é prática e realista. Ser cristão é carregar a sua cruz. A nossa cruz não é escolha nossa, são provações e dificuldades que acontecem e estão fora do nosso controle.


O sofrimento do cristão também não é sinal de falta de fé, não é punição nem castigo de Deus, não é uma maneira de iluminação espiritual. É consequência do pecado. Viver na tribulação, carregar nossa cruz nesse mundo, ou seja, nossos fracassos, frustrações, limitações, dificuldades, batalhas e sofrimentos, parece que deveria ter uma recompensa, valer alguns pontos com Deus. Tudo isso só nós mostra o quão dependentes somos. Do amor e da misericórdia de Deus.

O que fazer diante dos sofrimentos? As provações acontecem para que nos agarremos a Palavra de Deus, coloquemos nossa vida em suas mãos, e nos relacionemos com ele através da oração. Crescemos na fé por meio da tribulação e da Cruz. É nesses momentos que acontecem as orações mais fervorosas, e Deus está sempre pronto a nos ouvir.

4 | Vivendo a espiritualidade da cruz


O autor descreve que passou por diferentes tipos de experiências espirituais que tinham enfoque em moralismo, especulação e misticismo, e todas elas terminaram em frustração. Foi quando descobriu algo diferente no culto luterano. Apesar de ter sentindo como se tivesse voltado a Idade Média, ele brinca, ficou igualmente admirado com a organização do culto, da cada etapa da liturgia, e especialmente com a Palavra de Deus, que estava presente do começo ao fim da celebração. Ele descreve mais sobre sua experiência no primeiro e no último capítulos do livro, ao introduzir e ao fazer o fechamento do tema espiritualidade da cruz.

Fiquei um tanto chocada com seu relato, pois quem é "luterana de berço" como eu, e sempre conviveu nessa realidade, muitas vezes segue as liturgias luteranas meio no "piloto automático", sem reconhecer a riqueza real que existe por trás delas, por mais tradicionais que pareçam. Como o autor escreve, o que acontece no templo é sagrado, é preciso haver essa distinção de secular e sagrado, e seguir uma ordem ou um método torna esses elementos comuns - a música, o pão, o vinho, entre outros elementos - um sentido diferenciado e especial. Algo que sempre me atraiu na doutrina luterana foi exatamente a riqueza da Palavra de Deus, pregada pura e verdadeiramente. Não há motivo para outra busca espiritual, se ora, nem conheço teológica e profundamente a minha própria.

Num último capítulo o autor reforça que... "É impossível ser luterano, na verdade, sem a Igreja. Lei e Evangelho, a palavra salvadora, e os sacramentos, a vocação do pastor e a real presença de Cristo dão ânimo a cada parte da liturgia. Toda semana, no culto, os cristãos tomam parte em um drama divino, um mistério, no qual os dons de Cristo são recebidos."


Participar da comunhão da Santa Ceia é o ápice do sagrado na espiritualidade da cruz, pois cremos que recebemos o corpo e o sangue de Cristo, não simbolicamente, mas verdadeiramente, para perdão dos pecados e fortalecimento da nossa fé. Assim como cremos que no batismo o milagre da fé acontece na vida de um bebê, na Santa Ceia cremos que o milagre do fortalecimento da fé, que Deus nos dá, aconteça naquele momento. Esta é a experiência mais mística, se fôssemos usar este termo, o momento supremo do culto, onde Deus vem até nós.



5 | Vivendo a vocação

A doutrina da cruz parece loucura, Deus faz tudo por mim, e o que eu faço pela minha própria espiritualidade? Eu vivo as vocações, e o livro tem um capítulo incrível que fala só sobre isso, elucidando muito bem como Deus age na vida das pessoas através das diferentes vocações e/ou ocupações que temos em nossos trabalhos e afazeres diários.

Enxergar um significado espiritual não no extraordinário mas no ordinário, na vida do dia a dia, poderíamos citar como outra loucura da espiritualidade da cruz. Todas as pessoas, crentes ou não crentes, tem ocupações, e com seu trabalho servem uns aos outros. O que é amar o próximo? Muitas vezes me fiz essa pergunta. Amor é ação. É serviço. Este é o propósito das vocações. Deus está fazendo o bem e levando seu amor através de nós, quando cuidamos de nossa família, das pessoas que passam pela nossa vida. Quando li este trecho me arrepiei, e finalizo esta resenha com ele:

A satisfação que sentimos com o nosso trabalho é algo espiritual. Quando você faz aquilo que faz melhor, quando você está tão envolvido em seu trabalho ou em sua arte e está tudo indo tão bem que você está, como se diz, numa boa, então Deus, que lhe deu os seus talentos e a sua vocação, está bem atrás de você.
Pode parecer loucura crer na teologia da cruz, mas racionalmente falando é a que mais parece fazer sentido em toda a sua doutrina. Amor é loucura, e dia a dia. A vida é loucura, e dia a dia. Por que a espiritualidade teria de ser diferente?  É puramente viver o dia a dia também, com seu altos e baixos, existe algo mais normal que isso? Viver no êxtase, na paixão avassaladora, no extraordinário o tempo inteiro seria estressante, e não nos permitiria ser quem somos e fazer acontecer, com discernimento e leveza.

Aconselho a leitura do livro se você deseja de forma simples e clara entender mais acerca da Espiritualidade da Cruz, e de como viver com mais propósito em sua vida, entendendo como viver a espiritualidade na prática. Há bem mais tópicos maravilhosos na abordagem, mas tentei reunir aqui, o que considerei o essência. Quaisquer perguntas que surgirem, deixem nos comentários. Se não souber responder, enquanto "leiga" no assunto, consultarei um teólogo.

Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

❤ GOSTOU DESTE CONTEÚDO? COMPARTILHE!