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28 de julho de 2018

Um dia | Resenha do Filme

Resenha Crítica do filme "Um dia". Queria avaliar o filme sobre amizade como bonitinho, engraçadinho, curtível e talvez ele seja. Só que aprendi a ler mensagens subliminares, e algumas delas não me agradam nadinha.

| O que quer que aconteça amanhã, tivemos o hoje. (Um Dia)
Clique no play no vídeo abaixo se estiver a fim de ler com o fundo musical tema do filme, lindíssimo por sinal. Pianos e violinos salvam minha resenha.


Assisti ao filme Um dia por recomendação de uma blogueira, que falou, muito, mas muito bem desta incrível produção sobre amor – nada a ver com amor. Filmes de amor modernos. Filmes de amor não convencionais. Filmes de amor que parecem nada ter a ver com amor. Isto é no mínimo curioso, e atraente. Depois de assisti-lo não entendi onde foi parar o glamour do filme, o tchãnãnã que me faria indicá-lo numa resenha crítica como um filme incrível. Para mim foi um filme totalmente frio, sem paixão, sem amor, deprimente. Na verdade, não entendo porque ainda assisto esse tipo de filme (romances) se a grande maioria me deprime e revolta tanto.

À primeira vista ele me pareceu assim, mas eu assisti a segunda vez, para tentar salvar a história como uma boa história. Tentei assisti-lo com mais sensibilidade, e a conclusão que cheguei é que não existem histórias perfeitas. Comédias românticas que tem como essência “dramas” é o que muitos vivem. Ninguém vive sempre bem, e brigar para viver melhor, vale a pena, adianta? Talvez o amar esteja na tolerância, de respeitar as escolhas de cada um, de aceitarmos as pessoas e os fatos da vida como eles são. Dramáticos às vezes, mas divertidos também se vivermos um dia, de cada vez.

Em resumo a história do filme se baseia na história de vida de Emma e Dexter, que apesar de sentirem um algo mais, uma conexão especial desde o dia que se conheceram, seguem rumos diferentes, mesmo se comunicando de vez em quando, e se encontrando todos os anos – nem que por contatos telefônicos. Fica essa lenga lenga fria e sem perspectiva por 2 décadas. Acho que percebo o porquê da minha revolta: os dois não se comunicam – se trumbicam. Por que as pessoas ignoram o fato de que diálogos (não monólogos) resolveriam 80% de nossos problemas no dia a dia?! Ela comunica sua paixão a ele por escrito, em cartas e poemas, mas permanecem nas cartas e poemas, pois ele não faz grande coisa com essa informação. Dexter a considera uma boa amiga – afinal, ele não é obrigado a sentir o mesmo (nem se dar a chance de sentir algo), abandonar seus sonhos e sua liberdade para se entregar a viver uma história de amor, passar a ter uma rotina, compartilhar a vida ao lado de Emma, os objetivos de ambos são muito diferentes! A liberdade de viver só fala mais alto que tudo. Homens, ah, os homens... um filme de amor frio e insensível, tipicamente masculino.

Apesar daquele primeiro encontro onde nada além de amizade acontece, o filme registra acontecimentos da vida de ambos de forma criativa durante 20 anos, com os marcos anuais das conquistas, o contexto da época, o amadurecimento e situações ferradas que ambos se metem. Nem sempre podem contar um com o outro nas crises – pois há uma combinação tosca de manterem contato, não um compromisso efetivo. Porém é um no outro em que pensam naqueles maus momentos, e até se buscam por telefonemas, mas nem sempre se encontram. Naquela grande perspectiva “vamos ver o que acontece”, em geral o que acontece é nada, na maioria das vezes. E os encontros quando acontecem são totalmente amigáveis, como no primeiro: sem amor nem sexo. Algo atípico para um filme de romance.

Ao final da história tem alguns respingos de um viver apaixonado, dividido, compartilhado. Enfim, ficam juntos, mas por pouco tempo. Só porque ele, numa crise, a busca, e ela enfim cede. Desde então, ele passa a vê-la com outros olhos. Caem as fichas das longas cartas, se tivesse cedido antes! Cada um tem o seu tempo, e o tempo deles foi um pouco tarde demais. Por que adiar viver uma história de amor? Por que adiar uma oportunidade, uma chance, por décadas em prol de um egoísmo imbecil, que ao menos no filme não trouxe benefício algum a ambos? Como essa conexão e confiança pode resistir ao tempo, e esse desejo não se perder pelo caminho?

Seria interessante propor a alguém que você sente uma “conexão especial” mas que tem objetivos de vida diferentes dos seus, manterem contato ao menos uma vez ao ano, num dia ou mês em especial? Naquele dia se encontram pessoalmente, ou se ligam, ou se vêem pelo computador ou celular mesmo? Naquele dia se contam as novidades do ano, se não acompanham os acontecimentos em rede social ou meios de comunicação, se o objetivo de um deles for ser famoso e se tornar celebridade?! Você viveria um amor especial e moderno nesse estilo? Com toda a frieza que essa combinação sugere? Sem contato físico efetivamente, somente um amor colorido de uma parte, e uma amizade preto e branca da outra? Será que isso é um padrão de relacionamento que se possa sugerir ou desejar a alguém?

Acho que nossos pais e avós é que sabiam viver a vida, porque essa coisa de amores modernos não está com nada. É preciso brigar de vez em quando, rolar cobrança, rolar discussão, e terminar calando a boca com beijos e abraços. É preciso crescer junto, amadurecer um com o outro, aprender um com o outro a ser um ser humano melhor. É preciso sentir aquela paixão que deixa as pessoas loucas a ponto de casarem e depois se depararem com a rotina chata do dia a dia que é melhor coisa que existe. Uma rotina que traz segurança, conforto, bem-estar e filhos, para fazer tudo sair do centro novamente, e deixar a vida com mais cara de aventura e divertida. Dramática às vezes também, dividindo atenções e amores, mas ensinando a viver em comunidade, dentro de casa. Ceder, amar, perdoar, tolerar, pegar leve, conversar, abraçar, educar... isso é viver a vida, isso viver um amor, venham os filhos depois ou não!

One Day | Resenha de Filme

Não consigo acreditar que histórias assim encantam algumas pessoas a tal ponto de optar por imitarem essas estratégias de “Um dia” nas suas vidas. Elas irão se magoar da mesma forma. Irão sofrer da mesma forma, mais cedo ou mais tarde, com suas escolhas. Sei que minha avaliação é crítica, bem crítica quanto a proposta da história. Uma escolha que não me submeteria, por mais grande que fosse o amor pela pessoa, pois não é um padrão de exigência que combine com meus princípios e desejos de viver a dois. O tempo passa, as fases de vida mudam, o vigor da juventude se vai, novas fases vêm, e viver isso só, ou com alguém que não se ama deve ser muito triste. 

Guardar o amor por outra pessoa a sete chaves, e deixar de viver tudo o que pode ser vivido, para depois de 20 anos não acredito ser uma atitude inteligente e sábia. Vivamos a dor do fim, do nada que pode ser feito, de uma vez por todas. Depois passará, a marca ficará, mas abriremos os olhos para novas perspectivas – não para algo mal resolvido do passado que insiste de tempos em tempos em bater na nossa porta, no nosso celular, na nossa tela do notebook. A vida é o que acontece na real, não o que poderia ser um dia, depois de décadas, se ambos ainda estiverem aí para viver algum romance.

Talvez haja uma explicação porque sofro tanto com essas histórias. “É só um filme”, como diz meu marido. Porém sei que pessoas vivem isso, e me coloco no lugar delas. Talvez também porque para escrever assim, tão sentimental e na real, precise sentir essa empatia, como se fosse comigo mesmo. Para uma mulher apaixonada como Emma, ser tratada com tanta “amizade” por parte de Dexter, tanta tolerância é questionável.

Ficar feliz por sua existência, pelo dia de hoje que viveram no ontem ou pelo dia de amanhã que talvez se verão novamente. Ficar feliz mesmo recebendo só amizade de quem se deseja mais, pois ser amiga nem sempre significa ser prioridade na vida de alguém. É difícil dizer nunca, é difícil concluir esse pensamento. Porém, é fato que ele a fazia feliz mesmo daquele jeito estranho de ser, e que ela ajudou a torná-lo uma pessoa melhor. Algumas pessoas exercem vocações inexplicáveis na vida de outras pessoas, somente o são. Como não consigo concluir com outra frase melhor que essa, peço sua reação a este texto. Muito dramático? Muito enrolado? Fui muito dura? Se tiver outra impressão sobre o filme, me console.

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