27 de dezembro de 2017

Quero me separar...

Escrevi este texto há mais ou menos 1 ano e meio. No próximo sábado Jackson e eu completaremos 17 anos de casados. É muito íntimo compartilhar o que escrevi sobre isso, é muito coração e alma, por isso faltou coragem e ficou escondido por tanto tempo. Com esse título martelando na minha cabeça, sei que muitos por aqui talvez passem pela mesma situação, esse ano, decidi escancarar. Por favor, depois de ler o monólogo, peço força e apoio nos comentários: tenho ou não tenho razão? Pouco importa a essa altura também quem tem a razão... (tudo o que estiver riscado é adicional ao texto original)

Quero me separar...

Há 6 meses meu marido e eu completamos 15 anos de casamento (30.12.2015). Naquele período de fim de ano sempre são tantas emoções que não consegui escrever nada, queria primeiro ler algo que meu marido me escrevesse, gosto disso, isso para mim é um grande presente. Já havia escrito para ele "15 razões pelas quais me casei com você" 6 meses antes, dei diretas e indiretas para dar sua resposta, mas nada. Não recebi as 15 razões dele, até que desabafei no face a última indireta, reforçando que não era para tornar público algo só nosso, como eu também não o fiz (ainda). E ele me escreve, no face, sabe o quê? Que deseja se separar. Sim. Quem acompanha meu perfil no face deve ter visto nossa "briga" de palavras. (provavelmente não lembre mais, faz tanto tempo...)

Ele não é escritor, mas me dá cada insight maravilhoso para escrever que vocês não tem ideia. Como esse aí: quero me separar. Isso é declaração que se faça? As palavras tem poder, e comecei a concordar com ele a partir dali. Que se explodam as 15 razões.

Porque quando você diz que deseja fazer uma mudança radical na sua vida, a pessoa supõe que você vai se separar? Porque é a coisa mais normal do mundo, em vez de mudar para melhor, cair na cilada de achar que vai ser diferente com outra pessoa. Feliz ou infelizmente, tive de dar razão para meu marido: também quero me separar.

Quando a gente casou há 15 anos atrás éramos dois chatos, inexperientes, iludidos, inocentes, como duas malas poderiam dar certo? (milagres de Deus...) Ele destruía meus sonhos e eu cortava as asas dos dele. Cada um pensava na própria realização como se soubesse o que seria melhor para o outro. Casamos para construir um casamento diferente, para sermos felizes. Ele era falante e extrovertido com os outros e um homem sem palavras comigo, além de que tinha a péssima mania de falar por mim. Homem das cavernas, era isso que sempre era: até há pouco tempo atrás. Viciado em trabalho, idem. Eu? Já contei que não era nenhuma mulher maravilha: era fresca, cheia de mimimi, chata, tipo a mulher de provérbios. (a reclamona).  Sem comentários, vocês devem ter ideia de como uma mulher assim se comporta.

Meu marido foi louco de se casar comigo. E eu louca de ter me casado com ele. Um poço de paciência com um poço de irritação e espírito crítico. Depois que vieram os filhos, quando a gente "achava" que agora estava tudo bem, aí é que veio à tona tudo outra vez. Enfim, dá pra continuar casado desse jeito? Onde está o tal casamento diferente que construiríamos? Que exemplo iremos deixar para nossos filhos? Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço? Se até então não tínhamos entendido o que é priorizar o casamento, com a chegada dos pequenos entendemos. Especialmente do segundo. Não tinha mais como continuar assim.

Acontece que a gente cansou dessa rotina estressante que destrói os casamentos e relacionamentos aparentemente mais sólidos. Deus fazia parte de nossa trança ou triângulo amoroso (eu, ele e Deus), como poderia dar errado?

Tive de concordar que temos todos os motivos do mundo para nos separar de tudo o que nos atrapalha e faz a gente perder o foco no propósito do casamento e na vocação para a qual fomos unidos por Deus: companheirismo, intimidade e educação dos filhos. E foram também esses lindinhos que nos mostraram isso: eles não vem para nos atrapalhar, para tirar o sono, para perder algo que ainda tem tínhamos realmente conseguido construir: o tal casamento diferente.

Perfeito? Não, esse não existe. Não é um desafio nada fácil, por isso Deus continuará na nossa trança, no nosso quinteto amoroso, corrigindo, sexteto se incluirmos a vó nele. Com ele sim, é possível. Passamos a vida ouvindo conselhos e repreensões, aprendendo com os erros e acertos nossos e dos outros, temos na bagagem todos os segredos para construir um casamento diferente. O que precisamos? De atitudes diferentes e sábias. Se estivermos nos sentindo mais de bem com a vida, vivendo a própria vida não a do outro, na sua sombra, seremos mais felizes. É mais simples do que pensamos. 

Certas coisas na natureza feminina mais atrapalham do que ajudam, o mesmo vale para os homens. Cada casal precisa encontrar o meio termo, e mudar sim, um com o outro. A Edel que vocês conhecem hoje não é a Edel que o Jackson conheceu, temos traços influenciadores um do outro. Eu fiquei mais falante, ele aprendeu a ouvir. Eu aprendi a ser mais paciente, ele ficou mais organizado e aprendeu a cantar (palmas!!!). Ele entendeu que precisa planejar melhor o que deseja e eu que preciso fazer o que planejo.

Resumindo, os dois aprenderam a ser mais felizes! A paixão passa, é intensa, egoísta, louca e surreal, mas o amor permanece e constrói. Nossa decisão é unânime: nos separar de tudo que atrapalha nossa felicidade. Acreditamos ser uma sábia decisão!

"O amor nunca desanima, porém suporta tudo com fé esperança e paciência. O amor é eterno."
2 Co. 12.5

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