6 de agosto de 2017

Parindo um novo eu

Esse título me acompanha desde que me tornei mãe pela segunda vez, e queria entender quem era a Edel depois de ter passado por estas duas experiências totalmente distintas de maternidade. Na verdade a maternidade não passou, começou a viver e continua vivendo. Escrevi um texto para publicar no site www.bebe.com.br, mas nunca obtive retorno, nem a publicação do mesmo, como muitos outros nãos e sem respostas que fiquei na vida. Isso faz 3 anos. Nesse tempo às vezes reli este texto e pensei, cá pra mim: mentira. Você não é essa mãe que descreveu aí. Foi prudente não terem publicado mesmo. Mas afinal, quem é a nova Edel, agora também mãe?

Parindo um novo eu


Parindo um novo eu... não existe experiência mais louca do que passar por uma gestação e depois pelo parto, normal e cesárea. A loucura maior chega depois disso tudo: um bebê totalmente dependente de você por um longo período e uma responsabilidade por toda a vida. Deveria ter sido uma mãe antenada que fuça na internet em busca de experiências semelhantes para se consolar, aprender a fazer melhor ou etc e tal, mas minha preocupação quando estava diante da tela era buscar outros assuntos sobre organização e decoração, que me fizessem pensar noutras coisas que também gostava e voltar a ser um pouco eu antes, não somente o eu mãe. Não que o eu mãe fosse cansativo, quem é mãe sabe que não é e sabe também que estou trollando você me contradizendo.

Já se passaram mais de 5 anos, e o que estava eu fazendo esse tempo todo? Vivendo. Cuidando da casa e dos meninos. Dando aulas. Tocando. Decorando. Organizando. Estudando. Pesquisando muito. Pensando muito. Tendo ideias. Engavetando algumas, fazendo acontecer outras. Escrevendo pouco tudo o que poderia escrever. Minha explicação básica para isto é que não consigo viver as coisas e imediatamente tirar conclusões sobre tudo. Sinto os aprendizados com o passar do tempo, não sei se aprendo devagar ou se isso é normal. Não escrevo logo sobre por causa disso. Como algumas lições me nego a aprender, talvez demore mais para cair a ficha, não sei...

Hoje observando os meninos, vejo a nossa personalidade refletida neles. O que nós fazemos eles fazem. Só que eles fazem de uma forma tão intensa, que irritam tanto e ao mesmo tempo nos fazem pensar e aprender com eles. Tipo: eu sou assim, sério?! Não acredito. Um deles, por exemplo tem a birra do não quero, não quero, isso não quero, NÃO QUERO! É exatamente o que ele mais quer, só não quer dar o braço a torcer e reconhecer que sim, que precisa concordar. Não é pra tudo, mas para algumas coisas, como por exemplo, comer. Depois de fazer o escândalo, o teatro, a cena, se mantemos a paciência (eu), ele come tudo, em silêncio, mesmo já sabendo comer sozinho. Quando vejo o Miguel fazendo esse drama para comer, me vejo nele. E se escrevo este texto, é por causa dele.

Por que nesse tempo todo relutei em escrever e gravar muitas coisas? Por considerar que não quero, afinal, quem vai se interessar sobre, o que eu terei a contribuir, se já tem tanta gente que faz isso na internet. Escrever sobre os meus 3 amores? Gente, antes do Miguel nascer, eu havia escrito um texto sobre minhas paixões, e diversos outros sobre o Gui, só que aconteceu tanta coisa nesse meio tempo, com a chegada do Miguel, que eu travei tudo. Parou tudo, desestabilizou geral, a perdição foi total. Sinceramente, se tivesse escrito qualquer coisa naquela época, realmente era digno e justo deletar tudo.

Mas agora quero crer que tudo será diferente, porque eu estou diferente. Não é mudando a cor do cabelo que vou parir um novo eu, mas que vai me dar força para reconhecer que preciso mudar muitas coisas além disso: SIM! Quem gostava mais da Edel loira, paciência, não sei se ela voltará. A questão é que talvez como você eu morria de medo de muitas coisas. O parto era só uma delas, a maior, eu pensava. Santa inocência. Se há uma hora certa para cada coisa debaixo do céu, então, provavelmente a hora era viver mesmo e ir contra o imediatismo da aprendizagem momentânea do mundo atual. Sou do contra, sou diferente, sou devagar, sou mesmo. Se tivesse escrito qualquer coisa sobre maternidade até agora, seria como um conto de fadas e isso não sou eu. Sou normal, sou vida real.


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