21 de julho de 2017

Entre perdas e ganhos, um diferente tipo de luto

Há muito tempo quero escrever sobre luto, porém não é sobre o luto da perda por pessoas amadas que se foram. Há outras dores de luto e que muitas vezes podem doer até mais e acontecer numa frequência bem maior do que aquela. Adio este texto dramático há séculos, mas somente no último ano que entendi o que significa literalmente a palavra luto e deduzi que estou enlutada para algumas questões da vida.

Entre perdas e ganhos, um diferente tipo de luto

Há o luto por perdas de pessoas que se foram sem nunca terem vindo, por grandes perdas materiais e de sonhos que se foram sem nunca terem se concretizado e que, digamos assim, "morreram na praia", entre outras perdas e separações que poderíamos listar aqui, o próprio divórcio, que separa duas ou mais vidas, quando há filhos envolvidos. Talvez até você esteja vivendo algum tipo de luto, sem saber e não sabe o que fazer para resolver. Adianto que não tem solução, só vivê-lo em todas suas implicâncias.

Se você deseja um texto motivacional, pare de ler neste momento, pois não é sempre que estamos bem e a fim de um texto de autoajuda. Algumas dores vêm para machucar mesmo, para fazer sofrer, para dar uma chacoalhada geral na vida e só depois da tempestade é que vem a bonança, que por vezes demora a chegar, cada caso é uma sentença.

É um texto que cabe aqui? Não sei, só sei que sou real e que às vezes viver num mundo imaginário da criatividade e das mil possibilidades é bem mais legal, só que a vida não é só isso. Sempre tento ver o lado bom das coisas e acreditar que "tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus", mas às vezes é difícil passar por certos momentos, quando não se enxerga nunca o que afinal quer dizer esse “para o bem”.

Para você talvez seja fácil, perder algo pessoal, material e/ou profissional que se planejou e não vingou, para mim não é. Porque como bem ouvimos aqui e ali, as pessoas sentem os acontecimentos e as perdas de maneiras diferentes e só o que se espera é respeito, deixemos cada um sofrer as suas dores. Mesmo que acreditemos que "tudo coopera para o bem", é difícil reconhecer o que é esse "para o bem", porque somos um pouco complicados mesmo e ponto final.

Talvez hoje entendendo que existem diferentes tipos de luto, eu consiga lembrar de perdas que tive em momentos passados e que hoje estou vivendo, e aceitar melhor a situação, compreendendo (só um pouco) que é perfeitamente normal o que se sente. Afinal, somos humanos, era algo muito esperado e desejado, e de certa forma, nem agora nem amanhã, não vai rolar. Talvez daqui há 1 ano? Talvez...

Você perde um pouco a cara de pau e a ousadia que acredita ter conquistado e enterra elas junto com o sonho, depois de ouvir tantas vezes "NÃO" das maneiras mais sutis e inconvenientes, e conclui que não tem mais energia nem vontade de seguir insistindo, não do jeito “normal” e/ou “extraordinário” que vinha fazendo. Talvez não tenha chegado o tempo certo mesmo. Talvez a missão do momento seja outra mesmo. Talvez esteja querendo colocar a carroça na frente dos bois mesmo. Suba na carruagem e siga com os cavalos por outro caminho. Talvez seja isso.

Se você pensava que iria me lamuriar descrevendo em detalhes as perdas, enganou-se. Nem eu mesma sei o que foi perda e o que foi ganho nesta história toda. Talvez esteja vivendo até mais de um tipo de luto e de perda, e o jeito mesmo é aprender a conviver com ele, tentando sorrir, fazendo de conta, sem grandes enxurradas de lágrimas. Até que o fazer de conta vire realidade.

O maior desastre é a tentativa de esquecer lembrando o mantra “Esquece isso. Não viva para isso. Deixa isso para trás”. Quem sabe um Checklist de Atividades de Lazer Online e Off-line seja um bom remédio se colocado em prática.

Do jeito que escrevo pareço muito forte e superior, mas isto também é um ledo engano. É o jeito de tentar dizer para mim mesma o que ninguém saberia me dizer, sem apontar o dedo e dizer que estou um pouco lelé da cuca.

Entre perdas e ganhos, um diferente tipo de luto

Tudo vai passar, tudo vai melhorar, virão outras crises para fazer a festa. Com certeza piores, pois esta estou descrevendo com uma proporção muito intensa, só para parecer mais dramática. Dizem que é nos dramas que mais se aprende, que artista gosta de sofrer para ter assunto, para tornar mais interessante sua história. Alguém disse.

Também porque preciso de um motivo para escrever, desabafar, sem me consultar com nenhum Personal Organizer, Coach de Organização, Psicólogo ou amiga metida a conselheira. Desculpe-me se fui grosseira, muito hostil, muito irônica, muito indireta, mas hoje precisava escrever desta forma. Só não fuja daqui, por me considerar deprimente e você está em busca de entretenimento. Todos somos um pouco assim, só alguns escondem isso. Não será sempre assim, eu espero. Vai passar.

EDEL 💋
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