25 de junho de 2017

Resenha do livro #Traição

Fabiana Bertotti é jornalista, escritora e youtuber, aliás, uma de minhas favoritas. Por conta de segui-la em seu canal e também nas redes sociais, me deparei com a notícia do lançamento do seu primeiro romance: Traição. Deixei o link lá na Linkagem do Mês em Abril, e quando assisti o vídeo já me interessei pelo assunto. Não curto muito romance, mas como achei proposta um romance bem atual, "paixões virtuais", decidi comprar o livro, afinal, onde já se leu e ouviu falar sobre esse tema?! “É algo bem novo e polêmico”, pensei, será?

Resenha do livro #Traição

Adorei a trama, é bastante envolvente, e deixa um certo suspense no ar. Quem conhece a Fabi nos vídeos, tipo, que fala a verdade doa a quem doer, sem cerimônias, pode ficar feliz, que no livro é a mesma coisa. Ela dá de dedo nas feridas, e não manda falar as coisas. Não tem nada a ver com romance meloso, comédia romântica, e muito mais a ver com drama, realidade, tristes e modernas realidades.

Não quero dar muitos spoilers para não perder a graça de ler o livro, mas fica dito: é intrigante, vale a pena ler, faz pensar, faz com que a gente se envolva na história. No início você dá razão para os personagens, depois se questiona sobre o que eles estão fazendo, e no final, você se emociona com eles, e com a lição de vida que tiveram e compartilharam conosco. 

Ana é dramática desde a primeira página, só chora e se lamenta da vida, dos seus problemas sem solução, até encontrar um antigo namorado na internet, e começar a teclar com ele pelo facebook. A conversa começa com aquelas saudações normais, elogios dispensáveis para casais casados e comprometidos, mas dentro de pouco tempo, o tom da conversa já pula do normal, para o picante e proibido. Durante esta parte até damos razão para Ana. Se joga mulher. Deixa rolar mesmo. Seja feliz. Seu marido é um mudo, imbecil, desligado, chato. Se encontra com o cara bom de papo e manda ver.

Concordamos até com Henrique quando decide pular a cerca, Ana não te dá bola mesmo, procure outra e resolva suas necessidades com ela. Com a espiritualidade totalmente enfraquecida, que valores ambos têm para preservar?! Nenhum. Para um casal cristão, sem Deus na vida, como é o caso de Ana e Henrique, a perdição está à poucos passos, dentro da própria casa, ou pior: no próprio coração e desejo humano, que bate palmas ao dizer que é superior a qualquer outra força. E se lhe damos esse poder, realmente é. A Bíblia é só mais um livro que recebe pó em cima da estante, e não mãos para folheá-la e seres para buscarem sabedoria divina nela.

No desenvolvimento da história acontecem diversas coisas, entram personagens diferentes, a família do casal, seu filho Pedrinho, mas o centro de tudo é a ilusão que Ana constrói em torno deste antigo amor, que agora vem com tudo, para abalar seu coração e trazer de volta sua alegria pela vida, o amor por si mesma e a malícia para lidar com os homens, na verdade, com seu homem lá do outro lado da tela.

Quando chega na reta final da história, Henrique traído Ana com uma colega do trabalho, e Ana traído Henrique com seu amigo virtual, ela tem uma grande surpresa ao descobrir o que está por trás dessa amizade, então... começa a cair na real. Ana se flagra das consequências de seus atos em sua própria consciência, da ilusão que construiu, e da mentira que contou para si mesma. Ela não sabia que poderia ter sido tão abominável quanto o marido, se tivesse realmente encontrado o seu amor virtual em carne e osso, ali diante dela, como era seu desejo ao procurar por ele no mundo real.

Então ela começa a refletir e orar. Começa a cair a ficha, e essa ficha, vale para todos os casais que acham que seus relacionamentos estão mornos, com os cônjuges distantes, com a comunicação em crise, cheios de segredos ou simplesmente donos de um passado que lhes condena. Nessa parte acho difícil você que tem um relacionamento, não se identificar de alguma forma. Talvez a traição que esteja cometendo não seja com outra pessoa, mas com hobbies, coisas materiais, amizades reais sem cunho sexual, e o próprio trabalho, que lhe ocupa grande parte do tempo.

Algumas mulheres, como Ana, são mais comunicativas, querem falar (às vezes até demais), e buscam diálogo e passar tempo juntos em alguma atividade. Já os homens, como Henrique, são muito desligados para essas coisas, muito focados em sua individualidade e no seu próprio trabalho. Nesse desequilíbrio de interesses, se cada um não ceder um pouco, torna-se complicado. Nós mulheres, falarmos um pouco menos sobre futilidades e assuntos chatos, e eles tentarem se esforçar um pouco mais para se ligar nos nossas necessidades de conversa, mesmo que não seja sobre a cor da calcinha/camisola que iremos usar na próxima quarta-feira à noite. 

Se o objetivo do seu livro era levar uma mensagem cristã, como se Deus estivesse falando para nós, em linguagem atual e moderna, para que muitos casais se beneficiem da "lição de vida" aprendida pelos personagens, e possam entender a vontade de Deus para seus relacionamentos, tenho certeza de que ela conseguiu realizar este desafio de maneira gloriosa.

Então, super recomendo a leitura do livro, se você deseja conhecer um pouco mais sobre os novos romances de nossos tempos, se bem que Fabiana Bertotti pegou muito leve nas descrições das gracinhas virtuais. "Nudes" não são mais somente confidenciais ou enviadas em mensagem privada. Redes Sociais expõe a sexualidade de maneira escancarada demais, para gregos e troianos verem e se deliciarem, sem necessidade de bater-papo com a gostosa da foto ou do vídeo. Ela nem citou que existe também o sexo virtual explícito para os mais ousados, só abrir a tela da CAM, num skype da vida, por exemplo, e aí deixar rolar como se fosse real.

Quantos por aí não estão fazendo isso, sem ninguém saber? Dedicando-se a relacionamentos fake, cheios de mentiras, enganações, e procurando histórias na internet para acreditar que pode dar certo? Não dará certo. Raras histórias darão certo. Aí você se pergunta: isso é jeito de se começar um relacionamento, qual é o propósito de tanta pressa? Não é rápido demais, como nossas mães diziam? "Mal se conheceram e já estão namorando?" Não é uma questão de propósito, mas de erro, pecado e bagunça emocional mesmo. Onde brincadeira se mistura com papo sério, e confunde tudo, para ele ou para ela. O propósito é somente reconhecer que entre erros, mortos e feridos, estão todos ferrados.

Pode ser seguro, aparentemente confiável, pode ser virtual, mas é real, e as consequências em geral não são namoro, noivado, casamento, amizade normal ou amizade colorida no mundo real. Porque a maioria das histórias virtuais é assim que acaba minha gente: em nada. Entenda-se nada como ameaças, perseguições, discórdias, desafetos, separação, traição, depressão, solidão, suicídio, tragédia... Um nada realmente bem sério, perigoso e intenso demais.
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