17 de novembro de 2016

Enfim 3.5!

Edeltraut Lüdtke


Conheci a roda da vida há tanto tempo, quando nem sabia direito o que fazer da vida (espero que aos 3.5 saiba), e que metas traçar, mas escrevi meu primeiro planejamento no papel em 2001, fazendo uma lista em cada área de foco. Fiz uma lista de sonhos, escrevi um monte de planos. Sempre adorei planejar, jogar muita expectativa em tudo, e me frustrar depois. (os filhos me ensinaram a balancear isso, e levar a vida menos a sério. Se bem que continuo muito séria). Enfim, comecei bem, por uma LISTA.

Agora, sinceramente, se dependesse dos meus sonhos de adolescente jamais teria me casado nem tido filhos. Nem muito menos estudado secretariado, administração, design de interiores, organização... que parafernalha toda era essa! Se dependesse dos meus sonhos, teria me casado por volta dos 23 anos, se aparecesse algum pretendente, sei lá, finalizado minha tão sonhada faculdade de música, bacharelado em piano, como se só isso me faria feliz na vida. Seria musicista somente, especialista numa coisa e pronto. Talvez seria uma musicista sozinha, depressiva e infeliz. Meu sonho parecia grande, mas era muito egoísta. The end.

Há uns 10 anos atrás, quando o bichinho da organização me picou, e abriu meus olhos para uma nova profissão, lembro que nas minhas muitas leituras e pesquisas sobre o tema, cismei com um artigo que dizia que precisamos aplicar as técnicas do Planejamento Estratégico das Empresas também na nossa vida, pois nosso maior projeto é nossa vida.

Tipo, a gente tem de saber a nossa cultura, a nossa visão, a nossa missão, os nossos valores, enfim, traçar metas, planejar o que queremos e onde desejamos chegar. Muito óbvio isso, sempre fui muito boa em planejar, só que pecava um pouco em colocar meu plano em prática (tinha o bichinho do desânimo, do medo do novo, das crenças limitantes vivinhos demais aqui dentro da cabeça e do coração). 

Depois quando estava cursando minha pós em Administração, aquele negócio continuava não saindo da minha cabeça, só que eu não sabia como colocar no papel um planejamento mais eficiente, até que caiu na minha mão um material fantástico, que publiquei aqui no blog, e me deu um direcionamento melhor para começar esse planejamento. Foi o start. A parte de colocar em ação ainda estava falha, porém começava a me conscientizar de que planejar sem agir é o mesmo que dar voltas ao redor de si sem sair do lugar: não faz sentido.

Edel

Meu problema ainda continua sendo às vezes me cobrar demais, como se estivesse fazendo de menos, ou não fazendo o que deveria fazer, e não reconhecendo o que tudo já mudou, para melhor, na vida como um todo. É preciso listar mais as vitórias, as conquistas, agradecer e realmente aprender com as derrotas, pois elas existem também para nos transformar e para nos ensinar alguma coisa. Fácil falar, nem sempre tão difícil praticar, quando se sofre com alguma situação em particular. Uma hora a gente aprende, mas às vezes demora um pouco, porque parece que gostamos de sofrer, pra não perder o hábito. Tentando melhorar...

Antes tinha muito medo de errar, e isso é a pior repressão que podemos jogar em nós mesmos. Hoje tenho medo de deixar de fazer, fico P da vida quando me dizem que “você não tem coragem”, nem que seja uma atitude impulsiva, mas que depois poderá virar todo o jogo.

Aprendi que perguntas como: O que realmente queremos? Qual é a próxima ação? Onde queremos chegar? Qual o significado da nossa vida? – não são perguntas para se fazer na correria do final do ano, mas todos os meses, ou no mínimo trimestralmente/ semestralmente, ao revisar o ciclo que passou e o que virá.

Sinto uma pequena dose de aflição quando se aproxima a data do meu aniversário (como no último dia 8/11), como se tivesse de prestar contas comigo mesma. O que eu desejei dos meus 3.4? Realizei o que queria? E agora, para onde vou? Como está andando meu projeto de vida? Sigo em frente, mudo tudo? São questionamentos que me faço. É o momento de me reafirmar nas escolhas que fiz, traçar novos caminhos, remodelar os confusos, agradecer a Deus por tantas bênçãos recebidas.


Edel

Quando olho para trás e para o hoje, vejo não só o dedinho, mas a mão de Deus em cada direcionamento, e só posso realmente dizer: "Muito obrigada, ó Deus!". Porque como sempre acreditei e continuo acreditando, os sonhos de Deus são os melhores para nós, e os seus planos são mais sábios do que os nossos.

Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Salmos 37:5

Nem sempre acreditei nele verdadeiramente. Achei que Deus me deixou no banco de reservas em alguns projetos e sonhos. Pois o nosso tempo não é o tempo de Deus. E a paciência não é uma virtude muito fácil de praticar. A confiança nele às vezes também vacila. Mas só ele que dá verdadeiro sentido a nossa vida, e a felicidade plena, que não se baseia somente em fazer, fazer, fazer, aqui neste mundo.

Quando estamos assim, na correria louca como se tudo dependesse da gente, às vezes caímos, para que ele nos levante e diga “Calma. Tudo dará certo. Confie mais em mim.”. A gente planeja, faz, organiza, mas ele sabe o que é melhor para nós. Nós desejamos coisas egoístas, ele nos dá o que precisamos, mesmo sem pedir. É muito bom reconhecer isso e saber que

O coração do homem traça o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos.

Certa vez ouvi de um sábio teólogo, já de cabelos grisalhos, palavras que reafirmaram muitos conceitos em minha vida. Minha "tradução" de suas falas mais marcantes foram:

Nossa vida é poder de Deus, vem Dele e é acolhida por Ele. Ele organiza (essa palavra sempre soa como música, rs...) cada coisa no seu lugar, cada pessoa com sua vocação, no tempo e no lugar onde devem estar. Faça o que tem de ser feito, cuide das coisas que ele colocou no teu caminho, na vida em família, do trabalho em casa e em sociedade. Simplesmente faça o serviço que Ele te deu para fazer, em vez de sempre querer fazer mais e melhor e acabar por não fazer nada. Faça bem feito, sim, mas contenha-se. Para cada dia bastam suas próprias preocupações.

Nesse espírito de transformação embarco na minha versão 3.5, em meados dos “inta” rumo aos “enta”, cada vez mais próximos, sempre considerando a versão atual, melhor do que as anteriores! 


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