15 de janeiro de 2016

O que as vocações tem a ver com o nosso propósito de vida?

O que buscamos em todos os nossos empreendimentos na vida senão a realização e um sentido para tudo o que fazemos? 




Essa imagem que reflete o propósito de vida é a integração de paixão, missão, profissão e vocação: Você ama, O mundo precisa, Você é pago pra fazer e Você é ótimo realizando. É lindo esse desenho, e essa maneira de apresentar o seu propósito de vida, mas ele é muito mais do que isso. Ele só terá sentido realmente ser estiver atrelado aos seus valores mais verdadeiros, ao que você deseja no fundo do seu coração, às suas expectativas de vida. Vocação é muito mais do que "o mundo precisa + você é pago para fazer".

A espiritualidade cristã luterana possui essa questão de propósito de vida bem delineado, porém desconhecemos e muitas vezes temos preguiça de conhecer mais sobre nossos próprios tesouros. Desde que me conheço por gente, o pastor fala mais ou menos assim, quando os bebês são batizados, "que o Espírito Santo lhe capacite a servir da melhor maneira com seus dons e talentos, dentro das suas VOCAÇÕES". É sempre bom ouvir isso de novo, de novo, e de novo, por que nos reafirmamos em nossas próprias vidas: estamos seguindo nossas vocações? Vivenciamos elas em toda sua plenitude e autenticidade?

O livro A Espiritualidade da Cruz (de Gene Edward Veith Jr.) descreve muito bem o significado das vocações, e foi ele quem me fez refletir mais profundamente sobre elas, e sobre minha própria espiritualidade.

Vocação tem muito mais a ver com desafio diário, missão, uma lista de tarefas, trabalho duro, do que com ser muito habilidoso em algo. Vocação tem muito mais a ver com trabalho em diferentes esferas, do que com um status estático: "esta é minha vocação", pois temos muitas vocações na vida! Quase tem mais a ver com áreas de foco: ser mãe, esposa, amiga, profissional, estudante, do que com uma ou outra habilidade exclusiva: uma extraordinária maestrina, por exemplo. Se estiver diante de uma orquestra ou coral para coordenar, sim, é uma vocação, relacionada a sua profissão, mas é muito mais que isso.

Uma mulher quando se torna mãe assume uma vocação: a maternidade. Ela não sabe nada do que é isso, e mesmo que saiba em teoria, na prática é totalmente diferente. Quando um homem e uma mulher se casam, o casamento se torna uma vocação, que requer cuidados diários. O emprego seja ele qual for, de uma humilde cozinheira ou faxineira a um grande médico ou célebre político, envolve uma vocação. Os cristãos luteranos acreditam que estas vocações vêm de Deus, que é ele que nos capacita e vocaciona, e  as oportunidades que coloca em nossa vida para isso são variáveis e mutantes. Através delas, procura nos ocupar com o trabalho e nos tornar pessoas que façam alguma diferença neste mundo, atuando de maneira que sua glória seja exaltada, e não a nossa. Se nós fazemos tudo diferente, não é culpa dele.

Então por que as pessoas vivem tão indignadas e atormentadas com suas vocações atuais, sempre olhando para a grama do vizinho, que parece ser mais verde, linda e perfeita? "Quando não tinha filhos era mais tranquilo, quando era solteira tinha mais liberdade, se tivesse outro trabalho, ah, seria melhor". Isto é o que chamamos na espiritualidade cristã de tentações que nos desviam de nossas vocações, pensamentos que construímos e damos importância que não mereciam em nossas vidas, pois nos desanimam, frustram e incomodam, a ponto de nos fazer perder o foco de nossas vocações, e simplesmente desistir delas por "algo melhor". Às vezes desistimos, às vezes não.

"Assim, aquele que pensa que está de pé, é melhor ter cuidado para não cair." 1 Co 10.12. 

Só firmados em nossos sólidos e verdadeiros valores é que conseguimos dizer "Não!" para o que devemos dizer não e "Sim!" para o que devemos dizer sim. Algumas pessoas dizem que para um filho jamais diremos "Não!", pois filho é pra vida toda, abandoná-lo é algo desprezível! Porém dizer "Não!" para o casamento, é contornável, permitido, lícito, pois afinal, homem nem mulher são pra vida toda. Porém, não é bem isso que afirmamos diante do altar de Deus no dia de nosso casamento. Alguns podem pensar "ah, mas foi só uma promessa básica para o ministro religioso". Promessas existem para ser cumpridas, não quebradas.

As vocações para o trabalho então, sem discussões não é mesmo, pois mudar é a coisa mais normal do mundo! Desistir de uma paixão e mergulhar noutra é super tranquilo, afinal, temos várias paixões. Talvez aqui, a traição aos amores até seja permitido, mas precisamos examinar quais são nossas verdadeiras habilidades, e alinharmos elas conforme a figurinha acima, e elas realmente não precisam ser únicas. Podem e devem mudar, depois que seu propósito estiver cumprido, não para fugir da responsabilidade ou desafio. São escolhas mais flexíveis, porém às vezes nosso trabalho pode ser importante, necessário, fundamental dentro de nossa área de atuação na sociedade, mesmo que tenhamos crises e momentos ruins com ele. Chutar o balde não é a solução, no exercício de nenhuma vocação, é covardia e sinal de imaturidade.

Você sabe quais são as suas vocações? As "missões" para as quais você foi "chamado" para realizar e fazer alguma diferença no mundo? Você conhece o que a sua própria espiritualidade diz a respeito disso?
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